terça-feira, 29 de julho de 2008

HISTORIA - Principais conceitos operadores
N. Côrtes et alii. HISTÓRIA. Proposta de Reorientação Curricular do Ensino Fundamental (segundo segmento) e Ensino Médio
Projeto Sucesso Escolar. UFRJ e SEE/RJ. 2004.


A partir dos conceitos abaixo relacionados, o aluno do Ensino Básico deve ser progressivamente estimulado a perceber que:

História

A História é uma construção cognitiva atual que investiga as relações humanas no tempo e no espaço. Ela lida com fontes e vestígios do passado — documentos ou qualquer outro registro (sonoro, visual etc), desde que sejam expressões demonstráveis e tangíveis.

Suas possibilidades de interpretação são variadas e transitórias, mas há procedimentos metódicos específicos no trato dessas fontes (evitar anacronismo).

Atualmente, assume uma atitude intelectual integradora, promovendo a prática da abordagem interdisciplinar.


Historicidade dos conceitos

Os conceitos, as idéias e crenças, as teorias, as formulações intelectuais têm data de nascimento, são históricos e expressam os esforços dos homens para compreenderem e representarem as suas respectivas realidades.

Por isso, devem ser utilizados com parcimônia, pois seus significados têm prazo de validade, não sendo universais ou absolutos.

Os valores, razões e sentimentos da atualidade não servem como critérios de avaliação das vidas humanas do passado. Sob esse aspecto, as épocas são incomensuráveis.


Tempo histórico

Os calendários, as cronologias e demais formas de medir o tempo são invenções culturais que atendem às necessidades das sociedades que os produziram.

Há inúmeras formas de organizar o tempo e as temporalidades históricas. Períodos são criações sociais que conferem sentido e significado ao fluxo temporal.

Com ritmos variados, no tempo histórico convivem o agora e o instante; o antes / o durante / o depois; o atual e o inatual; e também transição e permanência; sucessão e simultaneidade; inércia e ruptura, acaso e destino; tradição e inovação; contigüidade e fragmentação; cisão e coesão; memória e projeto etc, etc.

O tempo não é uma rua que os homens atravessam distraidamente. Seus ritmos e durações exprimem as ações humanas e são os resultados pulsantes da vida social em todo o seu conjunto.

Processo Histórico

Os processos históricos são indeterminados (não há estruturas fixas, “últimas instâncias” ou contextos pré-estabelecidos), pois consistem no resultado imprevisto e dinâmico de interações humanas complexas.

A História da raça humana não descreve uma caminhada evolutiva da selvageria à civilização tecnológica. O processo histórico não é uma marcha unívoca ou evolutiva; o tempo não possui um sentido predeterminado. E os povos são autônomos, pois estabeleceram para si mesmos os seus específicos e distintos projetos de destino comum.

Ação e sujeitos históricos (cidadania)

A História é construída por sujeitos históricos. Sua trama é feita por agentes sociais (protagonistas individuais ou coletivos; anônimos ou célebres) de cuja interação resulta a vida em sociedade: instituições em geral, regras de convívio, rituais de solidariedade ou exclusão, idéias explicativas dos seus respectivos mundos etc, etc.

As instituições são criaturas das ações humanas em sociedade. Elas se estabelecem no decorrer do tempo e não possuem vontade ou ações próprias.

A História não foi prevista pelos sujeitos históricos. Os homens do passado não sabiam quais seriam as conseqüências das suas ações. O processo histórico, portanto, não é o somatório das intenções individuais, e muito embora os indivíduos tenham a iniciativa para ação / transformação (cidadania), o resultado dessas investidas é sempre imprevisto.

Os processos sociais resultam de atitudes e tomadas de posição (cidadania) frente a variadas formas de encaminhamento da vida humana que geralmente são conflitantes.

Cultura e representação

Cultura é o imenso conjunto de práticas e representações humanas que emergem no cotidiano da vida social e se solidificam ao longo do tempo em diversos modos de organização e de instituições da sociedade.

Memória

O direito à memória faz parte da cidadania cultural. Os povos, grupos ou indivíduos constituem a si próprios através de recursos que evocam e conservam as lembranças de seus respectivos passados.

O patrimônio das cidades, as praças, os museus, as festas, os hábitos populares, os arquivos são monumentos da memória, trata-se de áreas de preservação dos vínculos que cada atual geração estabelece com seus respectivos passados e futuros.